domingo, 23 de dezembro de 2007

Isso não devia acontecer comigo!


Quem me conhece sabe que tem algumas (várias) coisas que nunca deveriam acontecer comigo. Não sou muito tolerante com erros (dos outros e meus tb) e não suporto burrice. Não sou da política do "deixa pra lá", levo a vida a sério ainda que adore rir e sou a própria defensora dos "pobres e oprimidos", dos direitos do consumidor e do cumprimento da lei.
Coisas que não deviam acontecer comigo (e menos ainda num só dia):
1. Check-out do hotel: "Certo, então vou debitar do cartão R$ 864,00". Como?!?! "Desculpe, eu não pago as diárias". A moça era realmente simpática e foi o que me conteve. Ligo para a Bia, nem ela não acredita que a agência deu conta de fazer meleca comigo outra vez! Em menos de 10 minutos, a coisa se resolveu. Incrível a incompetência dssa agência. É a segunda viagem consecutiva que eles fazem meleca. Na anterior, me colocaram num hotel indecente que eu já havia dito mil vezes que não ficava. Numa avenida que se chama Perimetral, e, quem não é muito lesado sabe, que Perimetral em qualquer cidade significa barulho de ônibus e caminhão noite e dia. É daqueles hotéis que o quarto e o banheiro são uma coisa só, divida por um box que quinta. Nem preciso dizer sobre a frequência e o cheiro de mofo. Enfim, dormi uma noite (já havia ficado nesse pardieiro numa outra vez) e tive um xilique. Também dessa vez a Bia resolveu a parada, mas armei um barraco. Agora, os caras já sabem que sou chata, que reclamo mesmo, que não vou engolir e ainda asim marcam na reserva "pagamento direto"? Por favor, é querer encrenca.
2. Voe Gol: odeio voar Gol, sinto muito, mas é uma porcaria (verdade que nunca voei Bra). A começar por aquela fila absurda de check-in. Mas qual é o problema? Ninguém percebeu que o sistema não funciona? Que SEMPRE há uma fila gigantesca nos balcões? Que sempre tem que ter pelo menos 3 funcionários cuidando da fila e passando à frente aqueles que devem embarcar? Que talvez com mais 3 balcões nem teria tanta fila e bastaria uma fita? Não posso acreditar que só a mim ocorra tão brilhante idéia. E aquela barrinha de cereal e suco de goiaba light ou de manga? Goiba e manga dentro daqueles aviões lotados e apertadésimos é um atentado à sensibilidade olfativa. Quem teve a idéia de escolher duas frutas com um cheiro tão característico? Não conheço uma pessoa que tenha voado Gol e não detone o "lanchinho". Ninguém da empresa se tocou? E se for por economia, dá uma bolachinha de água e sal e pronto. Como não podia deixar de ser, o vôo atrasou. Não é que estava lotado,estava super lotado. Não prestei atenção e me colocaram na penúltima fila - menos mal, podiam ter colocado na última que é do nível do inacreditável de espremida. É certo que vamos acabar em Guarulhos, mas o comandante informa que aterrisaremos em Congonhas. Não é que o idiota do lado fala que prefere Guarulhos por causa da pista. Ora, se prefere então toma um vôo para Guarulhos que é mais barato e tem aos montes! Óbvio que fomos para Guarulhos. Saímos às 18h30 do trabalho e chegamos em São Paulo (Guarulhos) à meia-noite, quase que dava para chegar a Miami!!! Sempre peço para voar Varig - que saiu um pouco antes e pousou em Congonhas, mas o Financeiro só aprova Gol, que seria mais barata. Descubro no dia seguinte, conversando com a menina que veio Varig, que dava R$ 30 a mais. R$ 30?!? Pago eu! Avisei trocentas vezes que esse vôo da Gol é péssimo, que se atrasa a gente vai para Guarulhos, que, além de ser super exaustivo, acaba saindo mais caro e blábláblá. R$ 99,90 de táxi! Super economia, hein?
3. Guerra para estacionar: já não vou a shoppings para evitar o estresse por uma vaga. Como ando pra lá de pavio curto, decidi que, nesses últimos dias do ano, iria fazer um esforço hercúleo para não arrumar encrenca, ou seja, não me incomodaria com o trânsito e nem com os motoristas, que relevaria a fantástica falta de educação que dominou o universo masculino em relação às mulheres nos últimos tempos (a saber, não me incomodaria de homens passarem na minha frente no elevador, de faltarem me atropelar sem a menor sem-cerimonia, de falarem as maiores grosserias entre eles ignorando a minha presença etc.), que não me irritaria ser super mal atendida em lojas e restaurantes. Assim, depois de dar 3 enormes voltas nos jardins, estacionei a quilômetros do lugar onde iria e comecei minha travessia. Imbuída de toda essa "armadura zen" estava passando em frente à padaria quando um debilóide avança com seu carro calçada adentro na disputa por uma vaga. Sério, acho que ele estaria disposto a me atropelar só para "passar para trás" a mulher que esperava a vaga. Ela revoltou-se, é claro e, acreditem, jogou o carro em cima do outro, me deixando entalada entre os dois carros. Porra, mas aí também é demais. "Porra, mas vcs vão me atropelar por causa de uma bosta de uma vaga?!?!". Bem que eu tentei, mas não deu.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Caixinhas e obsessões


Primeiro não tinha blog. Então a Lari me animou e fez um blog pra mim, que já matei. Aí me animei com a história e fiz mais outros.
Primeiro não tinha bichos, depois apareceu a gata. Então, para ela não se sentir sozinha, adotei o segundo bichano. Tenho cinco gatos.
Primeiro não tinha nenhuma tatoo. Então, o Lauro me convenceu que o Polaco era máximo (e é mesmo!), era amigo dele e faria um preço camarada. Fomos ao centro e nos tatuamos todos: a Margarida, o Be e eu. Já tenho três tatoos.
Primeiro só usava Bic escrita fina, que nem existe mais, depois ganhei uma caneta tinteiro de meu padrasto. Tenho mais de 10, e nem uso.
Primeiro ganhei uma caixinha marroquina, lindinha. Hoje entre latinhas e caixinhas não poderia revelar quantas são - porque não sei e há limites para o descaramento.
Primeiro não comia sobremesa nunca. Não gosto de doces em geral e chocolate em particular - sou muito metida e só como "os melhores" (juro que não é provocação, chocólatros queridos). Agora, não deixo passar um petit-gateau, nem do boteco da esquina - pasmem!
Nota-se que sou obsessiva. Sei disso muito bem e tenho pagado caro por isso, não se preocupem.
Assim, cadernos, papéis, lãs, botões, lápis, fitas, retalhos, miçangas, tintas acabaram ocupando armários, prateleiras, caixas e o meu espaço.
Em abril, quando saí um mês INTEIRO de férias, tomei a decisão. Abri cada armário, cada gaveta, cada caixa, cada saquinho e botei fora quilos de coisas. Fui metódica (não deixei passar nenhum cantinho), e desapressada. Há tudo que cabia a pergunta "mas será que vou usar?", rua. O que era lixo, lixo, e o que não era, fez a festa das filhas da Beth.
Levei quase o mês inteiro nessa tarefa. O mais profundo exercício da revisão da vida e do desapego. Curiosamente tenho pouquíssimas coisas que entram naquela categoria "isso eu não daria mesmo". Foi ótimo. Ao final, havia armário de sobra, gavetas e gavetas vazias, nada dentro de um saquinho plástico porque um dia iria reformar, tingir, usar.
Fiquei felicíssima e me prometi manter a ordem.
Não há mais um armário vazio, nenhuma gaveta sobrando. Papéis, caderninhos, blocos, canetas, sapatos, malhas, novas caixinhas já tomaram a paisagem doméstica.
Estou outra vez infernizada por um armário lotado, e sempre as mesmas três calças, cinco blusas e quatro sapatos. Pela caixa das contas que está um caos, pelos documentos que já se espalharam em esconderijos super seguros, criados por mim mesma, e que, óbvio, não faço a menor idéia de onde sejam.
Olho desanimada as pilhas crescerem. Não tenho a menor vontade de lidar com a coisa.
No meu caso, o inferno não são só os outros - sou eu mesma também.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Adoro os leitores

Adoro os leitores! Não só pelo óbvio fato que "vivo" deles, mas, e principalmente, porque são de um bom senso fantástico, muito divertidos e super gentis. Compartilho:

assunto_email=APREENSÃO DE DROGAS
mensagem=QUAL O TAMANHO DAS MALAS PARA CABER 56 T DE DROGAS, NÃO SERIA 56 KG?

assunto_email=56 TONELADAS DE MACONHA
mensagem=AMIGOS,A GUISA DE COLABORAÇÃO. ACREDITO ESTAR HAVENDO ERRO NO TITULO DA MATÉRIA DE CAPA "APREENDIDAS 56 TONELADAS DE MACONHA EM ÔNIBUS",COMPLEMENTADA COM A INFORMAÇÃO QUE A DROGA ESTAVA EM DUAS MALAS DE PASSAGEIROS DO ÔNIBUS FISCALIZADO NA RODOVIA 333, POIS É SIMPLESMENTE IMPOSSÍVEL - FORA AS MALAS - UM ÔNIBUS CARREGAR 56 TONELADAS DE BAGAGEM.DESCULPEM SE ESTAMOS SENDO INOPORTUNOS. GRATO
Genial! Gosto até mais do segundo que se dá ao trabalho de nos explicar que não só não caberia nas malas, mas que um ônibus não transporta 56 toneladas! E "Desculpem se estamos sendo inoportunos" merece um "beijo na boca".

assunto_email=Correções
mensagem=Olá! Estou escrevendo para dizer que encontrei diversos erros no site (alguns de português, como 1,5 MILHÕES de pessoas; outros, como na matéria sobre o Museu de Relacionamentos Rompidos, de falta de concordância e repetições). Não quero ser chata, mas é só para dar uma avisada para revisarem melhor os textos antes de colocá-los online. Grata pela atenção.
Por isso que digo que são super gentis "não quero ser chata, mas é só para dar uma avisada..."
assunto_email=Português!!!!!!!
mensagem=O revisor estava de férias!!!kkk!Defeito de degustação do leite: "Todas são combatidas por empresas idôneas e são prescritas na fiscalização de sanidade."
Não só o revisor, caro leitor, mas também o cérebro de quem escreveu.

assunto_email=molécula química
mensagem=de novo, vocês pegam uma tradução o errada da agência Efe e publicam.Na notícia sobre molécula que bloqueia a replicação do vírus HIV, o texto diz que pesquisadores franceses descobriram uma molécula química.....pergunto: existe molécula que não seja química? pra que usar química depois de molécula? não tem um editor capaz de ver que isto é quase um pleonasmo? Que tal parar com o cafezinho e prestar atenção no que publicam? nem só de ignorantes é o publico que acessa este portal....
Antes fosse só parar com o cafezinho...

sábado, 15 de setembro de 2007

WYISWYG

Sábado, 23h40, depois de 12 horas sentadas na frente desse computador (sem exagero, juro), litros de café e quilos de cigarros, o belo sábado de sol perdido, na base do pãozinho com queijo, é óbvio que estou num puta mau humor. Tenho que analisar um super hiper over projeto e preencher um excell gigante que tem como nome "termo de conformidade" (adorei essa expressão).
Mas, em compensação, aprendi um monte de inutilidades de web 2.0. Meus queridos, informo, para os desavisados, que nasce um novo léxico, que abandona completamente qualquer pretensão de se manter o português como língua pátria: mashups, workflow, WYSIWYG, snapshots, tags, metatags, API, bookmarks e outros que tais. Confesso que até que ia me virando bem até encontrar essa sigla gigantesca. Mas, estamos na era da wikipédia e fui salva: esse monte de letras maiúsculas é a sigla de "What You See Is What You Get".
Por favor, se uma coisa para se explicar precisa de uma sigla dessas, é óbvio que alguma coisa está muito errada. Talvez seja eu.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Viva la vida, viva el vino e vamos a ganar

Sabia, desde de quando não a entendia em sua plenitude, que a saudação continha uma idéia da vida. Era assim que o Traful encerrava qualquer carta. Eram tempos que escrevíamos cartas, esperávamos ansiosos semanas por elas que tantas vezes não chegavam, não sabíamos nem se haviam existido- "perdiam-se na mão de um censor, um policial, um militar ou talvez simplesmente um correio relapso ou um carteiro preguiçoso. Eram tempos bem mais sombrios do que hoje. Mas esperávamos todos os dias o horário do correio e corríamos sempre quando tocava a campainha. Eram tempos de medo, a não carta podia significar a não existência, o "desaparecimento", a prisão, a morte.
Vamos a ganar era a nosso viver, acreditávamos num mundo mais justo, mais igualitário - alguns pagaram muito caro por isso e outros pagaram caro - para ninguém saiu em conta. Mas acreditávamos com convicção e paixão, muita paixão.
Já faz bem mais de 30 anos. Era um homem grande e forte. Amava o meu amor. E, meu amor o amava. Sentimento que transpassava em muito a compreensão permitida para uma garota de 16 anos, mas que, talvez por intuição, talvez pelo inatingível, aceitei e pude perceber-lhe a força.
Homem do mundo, por necessidade e por natureza, era intenso - para bem e para o mal, assim somos os "intensos". A vida não lhe foi fácil, mas para quem que é?
Morreu essa semana na França. Não o vejo há mais de 20 anos. Não o verei mais. Mas posso compreender e sentir: "viva la vida, viva el vino e vamos a ganar". Não foi bem assim, mas deveria ter sido.

domingo, 15 de julho de 2007

Adoro Porto Alegre

Gente, eu adoro Porto Alegre. Mas a-d-o-r-o mesmo! Como disse a Lisi, "Porto Alegre para vc é como ir morar na chácara". Genial! É exatamente isso, com um "melhor" - na chácara mais ficaria sozinha e em Porto Alegre tem gente super divertida e são todos "uns queridos", já em gauchês.
Aliás, adoro gauchês. Existe algo melhor do que definir uma pessoa como "meio fora da casinha"? Claro que não. Existe coisa mais gostosa de se dizer o exclamativo mais perfeito que já foi criado - o "bah!"? Adoro "bah"! E, se no começo estranhava muito esse uso do tu no lugar de vc com o verbo na terceira pessoa, agora, pelo menos, me passou aquela vontade instintiva, de jornalistas, de corrigir. Assim, Porto Alegre seria (ou é) a minha segunda cidade da categoria "a cidade que eu queria viver" - a primeira segue sendo Paris.
Mas tem uma coisa de Porto Alegre que é inacreditável: os táxis. Meudeus, o que é isso???
Caso 1:
O sr. pode parar na esquina à esquerda?
A sra quer que eu pare na esquina à esquerda??????
Sim.
Não vou parar aí, vou parar à direita (adendo: trata-se de uma avenida de quatro pistas no final de uma descida. Hello! Por acaso tomaria um táxi para morrer atropelada?)
O sr. pode parar naquela entradinha do parque...
Ah, mais aí vou ficar "trancado" no trânsito (e bufa, aliás bufa o tempo todo)
O sr. faça o favor de parar na entrada do parque (já atingi aquele tom de voz que quem me conhece sabe que é o aviso "a coisa está ficando feia, pode parar").
Parou, mas bufou.
Caso 2:
- Boa noite! Washington Luiz, 820, por favor.
- Ah, mas está tudo trancado!!!!!
(Faz-se silêncio. Não vou comentar, certo? Afinal, vou para Washington Luiz 820 e ponto, lembrando que o serviço não é gratuito)
- Qual o caminho?!?
- Não sou daqui
(Bufa - aliás, gaúchos adoram bufar - às vezes é até engraçado, mas em taxista pega mal)
(ah, já ia me esquecendo.. estamos num Uno 1900 e alguma coisa, caindo aos pedaços, daqueles que quando você vai sentar quase cai de tão afundado que ta o banco, uma sola de sapato)
Está tudo meio "trancado", afinal sou paulistana, e pra mim POA nunca está "trancado". Mas, ok.
Um "corredor" atravessa na frente do carro e diz alguma coisa para o motorista.
Viramos à direita, ele pára em plena curva, sai do carro, vai para o lado direito, olha a lanterna, acomoda com a mão, dá uns dois chutes para fixá-la, suponho eu. Dá meia volta e entra no carro.
- Era a lanterna.
Notei
Caso 3:
Vou na Protásio,XYZ, em frente a blábláblá.
Chegamos lá e estamos na mão errada.
- Esse número é do outro lado da avenida.
Bem se aquela outra avenida já me parece absurdo que alguém ache que eu poderia travessá-la, a Protásio, nesse ponto, é do nível do impensável.
- Vou deixá-la desse lado, me diz o bruto. A sra. atravessa.
- Desculpe, mas não mesmo, sem condição.(obs.: está chovendo!)
- Mas a sra. vai querer que eu dê a volta?
- Sim, com certeza (outra vez tenho que usar aquele tom)
Faz a volta,mas bufa.
Teria mais vários nessa minha curta estadia de 15 dias, que me permitiu experimentar cerca de 40 táxis.
Mas vou contar o último que é o mais absurdo. Estamos em três (seres do sexo feminino)
Passamos o endereço (bufa) .
- Mas está tudo trancado!!!
Mantemos o silêncio.
Ele grunhi alguma coisa sobre o roteiro, ignoramos, e seguimos.
Seguimos não é a palvra exata - o idiota acha que tem um carro de corrida, ou melhor, um blindado turbinado. O conceito de "preferencial" lhe escapou totalmente.
Acho que quase "morremos" umas três vezes - sem contar os sustos, que foram muito mais - num trajeto de uns 10 km, se muito. Não bastasse isso, esse não só bufava com relinchava. Dez minutos de completo mal-estar e medo.
Quando desci do carro fiz questão de fechar a porta. Bati com toda a minha força.
Qual o problema?!? Tá de mau-humor!?! Não ta a fim de dirigir? Fica em casa, vai ser outra coisa, faz terapia, sei lá, mas não seja taxista, porra!
Mas teve uns quatro - sei que é um percentual baixo - uns super gaúchos daqueles quase ou literalmente vestido à caráter, que foram muito geniais, simpáticos, educados e divertidos.
Adoro Porto Alegre!

terça-feira, 26 de junho de 2007

Inveja

Tenho inveja de muitas coisas nas outras pessoas. Bem claro: "nas" e não "das". São quilômetros que diferenciam uma coisa da outra.
Inveja é um sentimento, que pode ser muito saudável e é bastante normal em nós "pobres mortais", de querer ter aquilo que o outro tem. Coisa ou qualidade. Essa é a diferença.
A qualidade que mais invejo é a capacidade de "não deixar para amanhã". Dava 10 anos de vida para ser assim. Dez anos que teria economizado em angústia, ansiedade e preocupação por "estar por fazer".
A tomada está por consertar; o IR a ser entendido que raio é aquilo; o inventário de meu pai (que morreu há 5 anos) para ser passado para o advogado; o abajur para a cabeceira por ser comprado; aquele telefonema que de tanto que foi adiado já nem sei como dar; aquele email que, por precisar de uma resposta menos "net", ficou pendurado e agora é melhor deixar pra lá mesmo; o carro que precisa ser trocado e "com certeza" tenho que fazer isso, mas não faço; aquele botão que demoraria 5 minutos para ser pregado; aquele anel que em 10 minutos e uma gota de super bonder estaria resolvido; aquele trabalho que o prazo era ontem, mas se empurrar até amanhã ainda dá; o presente de meu querido amigo que fez aniversário em março. A lista é interminável, e a ela, cotidianamente, somo novos itens.
Conheço pessoas - duas especialmente bem dotadas nesse sentido - que conseguem tempo, disposição e determinação e não há em suas vidas nem sequer aquele sapato que precisa trocar o salto. Invejo com admiração - uma inveja serena de quem sabe que não lhe foi dado o dom.
Não consigo mesmo! - só queria me entender.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Unidos pelo desejo de vingança

Tenho uma teoria sobre alguns casais. Aqueles que se chamam por apelidos (em público), que falam barbaridades com um "benzinho", "mô", "gatinho" etc. no final da frase - o tom é meigo o quanto é possível contendo toda aquela raiva. Já quase odeiam-se, mas permanecem juntos. De alguma forma acreditam que "aquilo" é o melhor ou, pelo menos, o suficiente. Eles me apavoram, confesso.
Fazem coisas como:
1. Desmentem-se em público
Lembra-se aquela vez que fomos a Paraty e o Pedro (filho do casal) levou a namorada pra casa e criou aquela confusão enorme com os pais dela?
E ele implacável:
Não foi bem assim, amor, também não foi confusão, a gente nem tem certeza blábláblá.
2. Brigam na frente de todos
Eu não te disse que isso não daria certo?
Sim!, mas vc sempre diz isso e nem sempre acontece.
Agora vc vem com essa.
Com essa qual?
E, ai, vc que está lá desavisado, fingindo de paisagem, preferindo estar no pólo norte de camiseta regata, é chamado a árbrito.
Vc não acha, fulana, que blábláblá..
(meudeus, eu não acho nada! porfavor, não me peçam para achar)
Bom - começa o desavisado, nem tanto ao céu, nem tanto à terra...
(aindabem, nem precisa terminar, o casal retoma a briga sem nem ouvir o final da tentativa patética e inútil do intruso acalmar os ânimos)
3. Nunca se lembram
Lembra quando fomos àquele restaurante na praia?
Foi comigo?
Sim que comemos aquela lagosta maravilhosa, em Natal..
Não, não me lembro..
Mas vc mesmo tinha dito que aquela noite seria inesquecível..
Imagine! eu disse? não pode ser!
4. Se humilham mutuamente
Certo, mas se pelo menos vc parasse num emprego?
Como? Eu? Estou nesse emprego há dois anos!
hahahahah... dois anos imagine... eu estou há 10
sim, mas também para ganhar essa merreca....
5. Qualquer motivo é motivo
vc sabe o caminho?
lógico que sei!
não seria aqui à direita?
não! já disse que sei o caminho!
ok! ok! é que sempre...
porra já disse que sei, que droga, vc sempre me enche com a mesma coisa
sim, e já estamos perdidos
tamos porque vc não cala a boca e não pára de me perturbar
não, tamos porque vc é um metido e nunca me ouve.
Seguem juntos pela vida unidos pelo ressentimento, pelo desejo de vingança - vc acabou com a minha vida e agora acabo com a sua (vice-versa). Existem aos montes. Podem ser encontrados aos finais de semana nos supermercado, nos aeroportos esperando outro casal amigo, nos restaurantes em dias comemorativos, no carro do lado. São visíveis a olho nu e identificáveis à distância. Está estampada nas suas caras a infelicidade da vida escolhida. Mas não se separam, por causa dos filhos, da grana, da casa, da família, dos anos, das culpas, das dívidas, de nada. Não se separam porque amam se odiar.
Apavorante. E nem quero entender.

domingo, 17 de junho de 2007

Por um simples tabefe

Paulo Ricardo é um garoto gorducho, de mais ou menos 4 anos, que mora no 4º andar do prédio que dá fundos para o meu. É uma criança com nome composto. Nunca o chamam de Paulo ou Ricardo e muito menos apelidos como Ric ou sei lá. É uma criança de 4 anos com nome composto e mais, diria que é um nome "enfático", uma vez que nunca escuto menos que um PAUlo RiCARdo. Para dizer a verdade, ele é muito chato. Normalmente não me permitiria um comentário como este sobre uma criança, mas é inevitável: a mãe, o pai, os vizinhos, os amigos dos pais, e até os avós, concordam comigo, tenho certeza.
Mas, não satisfeitos com o inferno que Paulo Ricardo tem tornado as nossas manhãs escaldantes, com seus gritos, chamados, birras, (acho que se pedíssemos ao serviço de poluição sonora para medir os decibéis de sua voz, certamente ele seria multado e impedido de funcionamento até a reforma do estabelecimento), os pais do rapazinho presentearam Paulo Ricardo com um triciclo que, ao ser pedalado, toca uma sirene. Sempre. Basta que Paulo Ricardo apoie seus gordos pezinhos nos pedais e lá vamos nós - a sirene soa implacável.Que presente mais adequado para uma criança indócil como Paulo Ricardo!
Na semana anterior, deram-lhe uma baleia inflável gigante para brincar na piscina. Mãe, mãe, MANHEEÊ, olha, Olha Olha, ÓÓÓLHA o que eu sei fazer. E todos nós olhávamos, todos, menos a mãe. Ela já não agüenta mais ouvir, olhar, atender Paulo Ricardo. Eles estão incomunicáveis. Ela não o escuta e nem ele a ela.
Outro dia pudemos confirmar minha teoria. Por mais que enfaticamente pedisse para Paulo Ricardo sair da piscina, ele não atendia, ao contrário, a incomunicabilidade atingiu um ponto que, quanto mais ela argumentava que ele deveria atende-la, mais Paulo Ricardo insistia em saltar de uma piscina a outra, passando como um bólido diante dos olhos e braços insuficientes de sua mãe. Achei que dessa vez a humilhação era pública (ela podia imaginar que quando a cena se dava dentro do apartamento, nós, os vizinhos, não víamos ou escutávamos - podia, perfeitamente, ainda que fosse impensável, achar que aquela gritaria estava entre quatro paredes).
Devo confessar que tive uma leve esperança que finalmente Paulo Ricardo levaria um belo tapa e encerraríamos essa fase de sua educação. Mas, essa mãe treinada pela modernidade, pelo construtivismo, por toda essa psicologia não executou a tarefa – Paulo Ricardo não levou nem um tapinha, nem um apertão, e o mundo terá que suportá-lo até o fim de seus dias.
Custava ela ter lhe dado um belo tabefe?

sábado, 19 de maio de 2007

Adestrada?!?


Há alguns assuntos que se for para tentar entender dá pano pra manga. Os meus preferidos são: elevadores, filas e, o melhor de todos, homens. Não acho os homens difíceis de entender. Eles são bem óbvios, no geral. Bacana é tentar entender o que passa pela caixola quando fazem coisas como:
Encontro marcado, banho tomado, modelito que demandou uma verdadeira revolução - era sexta. O namoro já andava há um tempo, mas ele tinha dito que faria uma "coisa especial", então... não custa dar uma caprichadinha. Maravilha!
Às 20h, estava prontíssima para “o que desse e viesse” - era o que pensava. Às 20h30, pensei que tinha confundido o horário marcado, mas que era oito e alguma coisa era, tinha certeza que não era nove e alguma coisa. ok! ok! Às 21h, comecei a me preocupar.
(pontualidade é uma coisa básica e depois, como dizia um amigo meu, é uma coisa muita simples - basta olhar um relógio, a linguagem é universal e, além disso, para que existe telefone?!?)
Às 21h15, resolvi rever todas as ligações atendidas, não-atendidas, mensagens, enfim... nada que justificasse. Às 21h40, liguei para o bofe – alguma coisa muito grave devia ter acontecido.

oi, tudo bem?
do outro lado, ele:
tudo e vc?
(como?!?!?!)
vc não havia combinado comigo de passar aqui às 20h?
resposta:
putz! é mesmo! me enrolei no trabalho e acabei vindo pra casa.... vou tomar um banho e passo aí..
(como!?!?! passa aqui?!?! ta fazendo favor!?! e quem disse que eu quero!?! to fina) e digo:
olha, vamos deixar pra outro dia... a gente se fala...
ele interrompe:
péra, péra, vc não ta chateada, né?
(não..... imagine..... por que eu estaria? aconteceu alguma coisa chata? e já não tão fina, respondo
olha, não topo essa coisa de agendar e não bancar. Não to a fim de discutir, é sexta, estou pronta e vou sair JÁ! como vc está atrasado uma hora e meia, não se dignou a me telefonar, e vai tomar um banho, então, vamos deixar para outro dia MESMO.
(agora me explica - por que não desliguei o telefone? era óbvio que só ia piorar)
ele diz:
puxa.... eu não queria te chatear, to indo pra aí.
não venha MESMO, eu me conheço, e to saindo.. a gente se fala...

Lógico que eu devia ter saído, mas tava tão irada que toquei o som no máximo (nem tanto porque não sou de incomodar os outros), preparei um dry-martini e (deusexiste) estava no meio de um policial bacana. Mas estava irada - sabe aquela coisa de ficar remoendo, repetindo o diálogo, não acreditando e, tudo outra vez e outra vez.
Passada meia hora, a coisa já estava melhorando - o efeito do álcool é salvador!
Mas não passou 3 minutos do reconhecimento desse estado de leve conforto e toca a campainha.

Não pode ser, mas que língua eu falei?
Era o dito! Mas não era só ele. Como se o fato de estar lá já não fosse suficientemente absurdo, empunhava, com aquele olhar de cachorro lambido, uma dúzia de rosas.
O sangue subiu...
Ai, não quero que a gente (agora é "a gente"! que foi que eu fiz?) fique mal - e coloca sua "solução do problema" em formato de "rosas vermelhas" no meu focinho.
Como!?!?!
Por acaso tenho cara de foca que se consola com uma bola cheia de estrelinhas?
E ficou pasmo quando mandei sair e levar "sua bola cheia de estrelinhas". Achava que tinha feito "o máximo" pra uma "pisadinha à toa".
ok! então arruma uma foquinha adestrada, né?

domingo, 13 de maio de 2007

Distância segura

Qual a diferença, numa fila, se vc ficar 30 cm distante da pessoa da frente ou 3? a única diferença é que se ficar 30, pelo menos, não "invade a áurea", como diz uma amiga minha.
Confesso que sou avessa ao contato físico desnecessário. Não gosto que me peguem, odeio que me cutuquem e me tocar pelas costa pode ser um enorme problema - torno-me involuntariamente violenta. Nem acho bacana, mas sou assim.
Mas, é incrível a capacidade que o ser humano tem de "se aproximar".
Então, estou no balcão do bar. Sou miudinha, já aviso. Chega o tipo e senta-se ao meu lado. Não, ao meu lado não, praticamente no meu colo. Por favor!
Como tb não sou muito alta, desço de minha cadeira, empurro ela numa distância segura. O tipo me olha. Planto aquele sorriso social no rosto. Ele retribui gentilmente e... pasmem! se acomoda empurra o seu banco na área da "distâncias segura".
E depois sou eu que sou mal-humorada.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Fumante, por favor

certo! fumar faz mal à saúde, causa câncer, enfisema, faz a gente perder os dentes e até as pernas (tá lá no maço de cigarro, não sou eu quem tá inventando) etc. etc. e etc. Faz mal a saúde de quem? minha? ok! ok! estou disposta a pagar - e digo isso em todos os sentidos - física e financeiramente (tenho plano médico - não uso o serviço público para o qual, aliás, contribuo regiamente, ou seja, sequer vou dar despesa para o Estado blábláblá). Sou uma fumante convicta (adoro fumar!!!!) e bem educada, ou seja, não fumo em elevadores, locais proibidos (note-se que trabalho em uma "torre" no smoking), casa de não-fumantes (bom, eu nem vou porque não me divirto e essa vida já é pra lá de chata pra eu pagar um mico desses) e outros "n" lugares que têm a placa.
Assim - fumante inveterada que sou - SEMPRE, quando entro em um restaurante peço pela área de fumantes - normalmente espero uma infinidade de tempo por uma mesa porque fumantes ficam mais à mesa: fumam um cigarrinho, pedem o segundo, o terceiro e até o quarto cafezinho, e a cada um outro cigarrinho, mas eu topo - sou igualzinha.
Fim de semana para mim é dia santo - não precisa pressa, foi feito pra almoçar com os amigos, ficar de papo furado, rir da mesa do lado (podem rir de mim tb, não me incomodo - tamos aí pra isso, divertir o próximo).
Então saio eu no meu sábado sagrado e depois de muito "vamos lá-vamos cá", iup! lembramos de um restaurante muito do simpático com um jardim - sempre preferimos esses que têm lugar fora que aí não tem encrenca para fumante (ou não deveria), afinal estamos ao ar livre, a fumaça (a do cigarro) se dispersa e, digamos que são paulo não é lá aquela maravilha em ar puro então...Perfeito!
- Mesa para 4, FUMANTE, faço questão de acentuar.
- Tem uma espera de meia hora.
Olhamos meio desanimados - já são 14h30, mas descobrimos que podemos ficar no bar com as porçõezinhas, um álcool básico para começar o dia, enfim, Maravilha!
Tivemos sorte (ou não!). Nem passou meia hora e uma mesa com guarda-sol e tudo, num canto do jardim, daquelas que cabe 4 mesmo (odeio que enfiem 4 em mesa de 2!!!) e lá fomos nós com nossos maravilhosos cigarrinhos em punho.
Deu 10 minutos e a mesa ao lado vagou. Vejo marchando em nossa direção - para dizer a verdade em direção a tal mesa - uma daquelas trupes que odeio - pai, mãe, bebê e babá (meudeus um dia alguém me explica por que as pessoas têm filho se não gostam de ficar com eles nem um minutinho sem a porra da babá) munidos de trocentos apetrechos e um megacarrinho - papai tem um megacarrão e baby um megacarrinho, que é para que a gente nem duvide do poder finanaceiro da "família". Se bem que já vinham carregando a "escrava" - o maior dos sinais para que não se tenha dúvida que a família "está podendo".
Minha amiga, fumante tb, me olha com cara de pânico - ela é uma fumante culpada, prefere não fumar a ser advertida pelo fato. Deixa comigo - adoro uma encrenca dessas.
Chamo a garçonete (atriz, modelo e garçonete nas horas vagas) e informo que vou fumar, que pedi área de fumante e vou fumar e não quero incômodo. O bebê não é meu e eu nunca levei o meu para restaurantes. Odeio crianças em restaurantes - para isso existem as pizzarias e os rodízios, que eu fujo como o diabo da cruz, desde que esses espaços foram tomados pela "família" - mãe, pai, prole, avós, priminhos e quem mais couber.
Enfim, estamos tranquilos - todos devidamente avisados etc. etc. etc. - comemos, bebemos e, enfim, acendo meu merecido cigarrinho.
Vejo um certo movimento na mesa ao lado - eles ainda estão comendo. E não é que a mãe dedicada se vira, me cutuca (meudeus, odeio que me encostem - posso ser muito perigosa com essa coisa de me tocarem) e "vc se incomodaria de não fumar porque se vc não notou estamos com um bebê". Como não teria notado, ô sua debilóide, sou cega por acaso? Respondo: "sim, me incomodaria, pedi área de fumante, essa é uma área de fumante e até avisei a garçonete quando vi que vcs vinham nessa direção. Desculpe" - nossa! como fui educada. E não é que o maridão - que nem digo que passou o almoço dando olhadinhas para nosso amigo gay (típico! já estamos acostumados) vira-se e diz "nossa, que falta de civilidade e fumar faz mal". ohdeustodopoderoso dai-me forças para não perguntar por que ele não vai dar meia hora de cu e pára de se meter com os outros. Respondo: "Desculpe (nossa como estou educada!), mas como disse para sua 'esposa' (que o bruto tem esposa e não mulher, é óbvio) essa área é para fumantes e, por favor, faça suas reclamações aos garçons ou gerente" e acendo meu cigarro.
Não é que o idiota manda a babá ficar abanando a fumaça...
ok, sr. civilizado, é para isso que servem os "escravos", né?