sexta-feira, 24 de julho de 2009

Prazeres de uns...

Prazeres de uns, desprazeres de outros. Chove muito, estou de folga e:

1. Às 7h50 toca meu celular - o sogro de meu filho quer o telefone do decorador. Nem vou perguntar por que àquela hora.. enfim.

2. Vou fazer café e o acendedor automático morre.

3. Ligo o computador e o speedy não funciona.

4. Ligo para a Telefônica (empresa da pior qualidade, diga-se de passagem: serviço ruim, atendimento pior ainda). Como sempre a ligação está péssima, o mocinho do ouro lado, fora o sra., me trata como uma débil mental, me faz desligar o roteador, leva 24 minutos para conseguir fazer a droga funcionar - mas não devo reclamar, afinal podia ser pior. E, óbvio, quando, depois, tento conectar o roteador, dá pau. Certo! sem wireless, paciência.

5. Mal começo a me concentrar para as dezenas de missões do dia, ainda me esforçando para não pensar em como vou fazer para resolver o problema do roteador - porque é um inferno ter de reconfigurá-lo, toca o interfone. Só consigo pensar, deus ajude que não seja o zelador, seu Auto (isso mesmo) para avisar que o elevador não está funcionando. Notem, moro há mais de 15 anos nesse prédio; meu apartamento fica no 2º andar, só uso elevador para compras; nesse 15 anos, ele sempre me viu descendo de escada e subindo de escada, enfim, daria para depreender que o funcionamento (ou não) do elevador não me interessa, mas atendo o interfone e....'bom dia, dona Cuca, estou ligando para avisar que o elevador está quebrado"... Não é possível! Controlo-me, sei que estou à beira de um ataque de nervos.

Consolo-me: ele, o seu Auto, tem prazer em interfonar. Prazeres de uns, desprazeres de outros. E o dia apenas começou.

sábado, 18 de julho de 2009

De roupa?!?


Gosto de bichos. Sempre gostei. Quando pequena tinha de galinha a cobrinha, Verdade que com os anos tanto galinhas quanto cobras me causam uma certa repugnância. Nada que lhes impeça de viver no mesmo mundo que eu. Como a maioria dos mortais, o único bicho que realmente eu eliminaria seriam as baratas, mas, por isso mesmo, provavelmente, elas são indestrutíveis.

Introdução necessária para explicar o meu desprazer em relação à categoria que foram alçados os animais de estimação. Viraram gentes peludas que não falam. São vestidos, usam sapatos, fazem manha, têm vontades e, andam de carrinho de bebê nas ruas dessa cidade, que já não é mais minha mesmo, embora gostasse que fosse.

Por que o pets andam vestidos? Quando era criança dormiam na garagem, ou em suas casinhas, com um cobertor velho e, pelas regras de minha mãe, não circulavam dentro de casa. Viveram todos bem: cachorros, gatos, coelhos, jabotis, tartarugas, esquilos, hamster, cobrinha, lagarto, passarinhos, papagaio. Sim, eu gostava muito de bichos e com a condição de viverem fora de casa, comerem restos, e que eu cuidasse, minha mãe deixava que os tivesse.

Por que as pessoas chamam seus bichos de "filhinho" ou "filhinha"?

Tenho pena dos bichos impedidos de seguir sua natureza, tremendo de frio ou de nervoso, tomando banhos, fazendo tosas, tingindo seus pelos de rosa, e colocando lacinhos.

Gosto de bichos, mas não são gente.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

A Lua


Em 20 de julho fará 40 anos que o homem pisou na Lua. Lembro-me. Tenho até hoje guardado em algum canto o "magnífico" trabalho escolar feita na ocasião. Com ajuda de meu padrasto comprei todas as revistas bacanas de fotos - Manchete e Fatos&Fotos - recortei o melhor que era capaz, compramos papel cartão preto para a capa e cartolina preta para as páginas. Estava encantada. A "obrigação" do trabalho escolar era tudo o que eu mais queria. Estava impactada com aquela imagem na tv. Como todos, escolhi minha profissão: seria astronauta, a primeira mulher astronauta, isso sim!
Imaginem só você, com aquelas roupas pesadésimas, flutuando, em câmara lenta. Sonhava com isso, podia até sentir. Assisti a cena tantas vezes quanto pude com o horário restrito de uso da televisão que minha mãe impunha e a pequena escolha de canais. Enfim, nada me impedia de rever em detalhes, quantas vezes quisesse, no filme que rodava em meu cérebro. Registro indelével.
Mas lembro também, alguns anos antes, todos sentados ao redor do rádio, daqueles enormes num móvel de som, com vitrola e pezinhos, sintonizados numa rádio russa, que chiava um monte, com minha mãe traduzindo, a ida do primeiro cão para o espaço. A Laika. Não tínhamos tv, nem sei se existia aqui. Mas semanas depois, minha mãe trouxe a foto, recortada de um jornal, da Laika na cabine da nave. Lembro-me que olhei para aquela foto horas, buscando alguma comunicação com aquele cão, que mesmo sendo cão já era muito mais do que eu.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Uma gota


Vez ou outra me surprendo com coisas pequenas que causam imenso prazer: passar o dia fazendo uma mudança, com chuva sem trégua, "comer" quilos de pó, chegar em casa, tomar um bom banho e, o melhor de tudo, a gota perfeita de prazer : besuntar o rosto com um bom hidratante e, outra vez poder sorrir sem dor.

domingo, 12 de julho de 2009

Os números, malditos números


Quem trabalhou comigo sabe muito bem, sempre "proibi", nas redações que comandei, que jornalistas fizessem cálculos numéricos de qualquer tipo. Somos muito ruins com os números. Não importa o quanto achemos que não, mas somos. Tive provas super desagradáveis com o tema: Vi a manchete do jornal começar a rodar informando que um candidato estava 3% acima nas pesquisas quando, na verdade, ele estava 3 pontos percentuais. Não pretendo explicar aqui a diferença - repito: jornalistas não devem lidar com números e ponto.
Há profissionais especializados: economistas, estatísticos, pesquisadores, enfim pessoas devidamente habilitadas para colaborarem com os jornalistas na sua função básica que é informar o leitor corretamente.
Há anos o Carlinhos Brickmann fala que os números da Parada Gay de São Paulo são absurdos, non sense. Todos se fingem de surdos ou consideram "preconceituoso" desmentir a organização do evento. Insisto porque quero crer que "água mole em pedra dura tanto bate até que fura". Então vamos lá.
Temos informações variadas sobre o tamanho da Paulista, algo entre 2.500m e 2.800m de comprimento por entre 48m e 55m de largura. Vamos pelos números maiores porque isso favoreceria os dados "oficiais".
A Paulista tem, portanto, 154 mil m2. Conta simples, de vezes, como ensinou-me minha professora do 2º ano primário, multiplicação.
2.550 x 55 = 154.000
Até aqui nada muito complexo.
Pelos manuais de ocupação territorial, o aconselhável é calcular que cada pessoa ocupa 1m2, mas que "socadas" caberiam até 4. Em caso de dúvida, risque 1m2 na Redação e coloque quatro gordinhos dentro. Então teríamos, com a Paulista bufando de gente e todo mundo tomando muito cuidado para não pisar no "calo" do outro, sem trio elétrico, sem carrinho de comidas, bancas de jornais etc., 616 mil pessoas.
Outra vez, conta de "vezes".
154.000 x 4 = 616 mil
Ops! Há anos já passamos desse número. Passamos não, quintuplicamos, ou seja, enfiamos uma média 23 pessoas por m2. Pago o mico para o jornalista que conseguir enfiar 12 pessoas em 1m2. Dou os outros 11m2 de lambuja.
Mais do que isso, se considerarmos que a população de São Paulo é 19 milhões de habitantes, significa que 18,5% da população foi à Parada Gay. Vamos lá, desses 19 milhões, cerca de 2.600 estão na faixa entre 0 e 14 anos e quase 1 milhão têm mais de 60 anos. Nada impede que eles fossem (ou foram e vão) à Parada, mas, digamos, que a probabilidade é menor. Assim nos resta 15.400.000, ou seja, 23% da população da cidade. O bom senso diz que isso é muitíssimo pouco provável que 1/4 de São Paulo vá à Parada Gay.
Vamos tentar entender que não existe evento na Paulista, nem ocupada de ponta a ponta só por gente, que chegue a 700 mil pessoas, e tudo bem, já é gente pra caramba.