Jamais pensei em ser jornalista. Pensei em ser médica, veterinária, psicóloga, escritora, atriz, bailarina. Estudei Educação na USP - Pedagogia - Orientação Educacional. Dava aulas desde os 17 anos. Aos 18 já trabalhava com crianças com grandes dificuldades de aprendizagem: lesão cerebral, dislexias fortíssimas. Também, com uma grande amiga, a Luiza, fizemos um programa de alfabetização de adultos para os funcionários da USP - quase 30% dos funcionários da Universidade de São Paulo eram analfabetos. Isso foi por volta dos anos 80. Trabalhamos com os jardineiros. Brigamos um monte para conseguir. Encontramos todo tipo de resistência da universidade; nossos professores não aceitavam como horas de estágio. Patética, como tendia a ser a administração da USP na época. Fizemos um trabalha bem bacana e sério para duas garotas com cerca de 24 anos, sem nenhum respaldo técnico e pedagógico. O programa existe até hoje, que eu saiba. Agora, é "chic", já tem um monte de donos da ideia, mas, fomos nós duas.
Um dia, depois de ter casado, tido meu filho e me separado. Pouco mais de 3 anos dessa história, seguia dando aulas, e ganhando muuuito mal.
A decisão da separação me colocou num novo problema: agora era comigo mesma. Precisava ganhar mais. Meu querido amigo André trabalhava na FSP então. Era época de Diretas. Meu amigo Otavio ousava com o Projeto Folha e eu sempre escrevera - não tão bem quanto qualquer um dos dois, mas não era completamente analfabeta. O Otavio queria gente nova, que estivesse com ele, que amassee ousar com ele então amava. Chamaram-me para coordenar os artigos (uma seção que existia) para a Constituinte. Em uma semana era também redatora, em três meses, redatora das páginas 2 e 3, em mais uns meses editora-assistente de política e mais uns outros tantos editora de educação. Nem imaginava que me sentiria tão bem, tão afinada comigo mesma sendo jornalista. Devo muito a muita gente que me ajudou muito nesses primeiros anos, quando era uma foca, uma menina que estudou pedagogia (argh) e que lá estava porque era amiga dos chefes. Tudo verdade. Nada realidade. Nunca nossa amizade me favoreceu. Nunca pedi, nunca quis e nem eles também. Sempre foi super tranquilo isso. Somos amigos até hoje.
Adoro jornalismo. Faz parte de mim, flui com sintonia e segurança, diverte-me, instiga-me, excita-me. Penso o mundo em pautas, monto as pautas já com o texto imaginário da matéria, diagramo a página na sintonia do tema, e posso criar.
Não acho que haja nenhuma glória nisso. Fora os privilegiados que têm dons, nós, humanos mortais, podemos, com muita sorte, encontrar no trabalho, na profissão o melhor lugar para que suas qualidades possam acontecer - os defeitos, os rancores, a sensação de emprego são ínfimas, quase nem se fazem sentir. Lógico que há enormes insatisfações, dificuldades, resultados infelizes, mas isso é da vida. Já poder viver de suas habilidades naturais e suas qualidades é ter sorte na vida.
"aquele que não acredita no inesperado é que não o encontra" (já não me lembro de quem é a frase)
sábado, 12 de setembro de 2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Coisas que irritam
Adorei o post da Clarissa do "Cinco besteiras que me irritam" e quero dar a minha contribuição.
Sobre falarem comigo antes do café, concordo em gênero, número e grau. Idem para gente que acorda de bom humor. Me irrita tanto que chego a achar que é de propósito. Barra de cereal é a definição perfeita. Sobre filas, confesso que me recuso, nem para assistir o show dos meus sonhos.
Acrescento:
1. Não suporto gente que quando vc está nervosa e irritada (com razão!) fala, "Nossa, calma! Não precisa ficar desse jeito." Ora, se não precisasse por que estaria? Por acaso gosto de estressar. É ÓBVIO que preferia estar calma, e se não estou é porque não dá para estar calma, então não irrite mais ainda. "Calma" ou "Baixa a bola" (nem vou comentar o ralé da frase) só contribui pra irritar mais ainda.
2. Pessoas que não se despedem ao telefone. Terminam a conversa, desligam e vc fica com a maior cara de tacho.
3. Pessoas que mal te conhecem e ficam pegando em vc. Nossa, isso me deixa louca. É aquela coisa invadir a aura. Por mim, andava com uma luminoso: "Mantenha distância de, no mínimo 30 cm. Respeite minha aura".
4. Gente que tem certeza que entende como vc se sente e insisti em garantir "métodos perfeitos, testados por elas mesma" vão resolver o a situação.
5. Essa coisa idiota de TODOS os serviços, assistências técnicas, entregas acharem que é razoável dizer que o atendimento ocorrerá no horário comercial, das 8h às 18h. Como eles fazem quando precisam? Faltam no trabalho e passam o dia em casa aguardando? Se sim, quero um emprego assim.
6. Finalmente, me enche gente saudável. Não come porcaria, olha os rótulos de tudo para garantir que não tenha gordura "trans" (sabe deus, que raio é isso!), faz academia, não fuma e passa o tempo todo "provando" o quanto isso fez da vida uma coisa melhor.
Mas é como digo, a irritação em um dom.
Sobre falarem comigo antes do café, concordo em gênero, número e grau. Idem para gente que acorda de bom humor. Me irrita tanto que chego a achar que é de propósito. Barra de cereal é a definição perfeita. Sobre filas, confesso que me recuso, nem para assistir o show dos meus sonhos.
Acrescento:
1. Não suporto gente que quando vc está nervosa e irritada (com razão!) fala, "Nossa, calma! Não precisa ficar desse jeito." Ora, se não precisasse por que estaria? Por acaso gosto de estressar. É ÓBVIO que preferia estar calma, e se não estou é porque não dá para estar calma, então não irrite mais ainda. "Calma" ou "Baixa a bola" (nem vou comentar o ralé da frase) só contribui pra irritar mais ainda.
2. Pessoas que não se despedem ao telefone. Terminam a conversa, desligam e vc fica com a maior cara de tacho.
3. Pessoas que mal te conhecem e ficam pegando em vc. Nossa, isso me deixa louca. É aquela coisa invadir a aura. Por mim, andava com uma luminoso: "Mantenha distância de, no mínimo 30 cm. Respeite minha aura".
4. Gente que tem certeza que entende como vc se sente e insisti em garantir "métodos perfeitos, testados por elas mesma" vão resolver o a situação.
5. Essa coisa idiota de TODOS os serviços, assistências técnicas, entregas acharem que é razoável dizer que o atendimento ocorrerá no horário comercial, das 8h às 18h. Como eles fazem quando precisam? Faltam no trabalho e passam o dia em casa aguardando? Se sim, quero um emprego assim.
6. Finalmente, me enche gente saudável. Não come porcaria, olha os rótulos de tudo para garantir que não tenha gordura "trans" (sabe deus, que raio é isso!), faz academia, não fuma e passa o tempo todo "provando" o quanto isso fez da vida uma coisa melhor.
Mas é como digo, a irritação em um dom.
sábado, 8 de agosto de 2009
Formigas
Odeio formigas. Simplesmente detesto todas elas e as pequenas mais ainda. Morei num apartamento que certamente fora co-alugado para as malditas formigas. Matá-las virou uma obsessão. Experimentei TODAS as fórmulas divulgadas: sprays - dos específicos para formigas até os mata-tudo; técnicas caseiras - de tapar com uma colinha de farinha e água a entrada dos formigueiros a fazer um rastro de detergente no caminho por elas percorrido. Confesso que, embora inútil, esse último me divertia - ficava observando elas se perderem da "tropa" e irem "desmaiando" rapidinho. De fato, odeio formigas. Não consigo imaginar nada tão perverso que pudesse me dar tanto gosto como vê-las morrer.
Nada disso funciona. Para os interessados, há um produto muito do mixureba (Formicel), que consiste numa seringa com uma coisa bem melada que a gente coloca em qualquer ponto do caminho das malditinhas e elas se reúnem em volta, comem, comem, comem, e saem correndo para avisar suas "amiguinhas". É tiro e queda: não resta uma para contar a história. Tormnei-me uma especialista em matança de formigas.
Minha primeira "pesquisa" escolar, daquelas que íamos às enciclopédias, mais precisamente à Delta Júnior e à Barsa, foi Formigas. Adorei!!!! Fiz meu pai trazer para mim dos EUA um "formigário", que consistia em um aquário fininho que a gente colocava terra, formigas, as alimentava, e ficávamos assistindo sua vida dentro do formigueiro. E mais, pesquisar foi uma descoberta tão fantástica para mim como ler e escrever. Coisas mágicas que no primeiro momento que surgiram já senti que aquilo mudaria o meu mundo.
Depois dos 3 anos de luta contra as formigas e, finalmente tê-las derrotado, passei mais 6 meses naquele apartamento e, me mudei. Comigo não vieram, menos mal. Mas, sempre que encontro com formigas, esmago-as. É como um ritual para que elas não voltem mais. Como se houvesse alguma comunicação possível entre as formigas do universo e matando todas as que eu encontrasse, uma ou outra sobrevivente contasse que sou perigosa, que evitem-me ao máximo, que sobreviver a mim é praticamente impossível. A informação correria o mundo das formigas e, pelo menos na minha casa, elas não entrariam mais.
O fato é que hoje cedo tropecei, na escada do estacionamento do escritório (adoro chamar redação de escritório!), com uma fila de microformigas determinadas. Olhei, já percebi à distância, era só dar um bom pisão sem nem ter de desviar e não fiz. Pensei que tinha que abandonar essas manias, "pensamento mágico é infantilidade" e, num ataque de bondade, achei que era melhor não ficar matando só porque sim.
Encontrei uma formiga no açucareiro. Devia ter esmigalhado aquelas de hoje cedo. Amanhã elas não me escapam.
Nada disso funciona. Para os interessados, há um produto muito do mixureba (Formicel), que consiste numa seringa com uma coisa bem melada que a gente coloca em qualquer ponto do caminho das malditinhas e elas se reúnem em volta, comem, comem, comem, e saem correndo para avisar suas "amiguinhas". É tiro e queda: não resta uma para contar a história. Tormnei-me uma especialista em matança de formigas.
Minha primeira "pesquisa" escolar, daquelas que íamos às enciclopédias, mais precisamente à Delta Júnior e à Barsa, foi Formigas. Adorei!!!! Fiz meu pai trazer para mim dos EUA um "formigário", que consistia em um aquário fininho que a gente colocava terra, formigas, as alimentava, e ficávamos assistindo sua vida dentro do formigueiro. E mais, pesquisar foi uma descoberta tão fantástica para mim como ler e escrever. Coisas mágicas que no primeiro momento que surgiram já senti que aquilo mudaria o meu mundo.
Depois dos 3 anos de luta contra as formigas e, finalmente tê-las derrotado, passei mais 6 meses naquele apartamento e, me mudei. Comigo não vieram, menos mal. Mas, sempre que encontro com formigas, esmago-as. É como um ritual para que elas não voltem mais. Como se houvesse alguma comunicação possível entre as formigas do universo e matando todas as que eu encontrasse, uma ou outra sobrevivente contasse que sou perigosa, que evitem-me ao máximo, que sobreviver a mim é praticamente impossível. A informação correria o mundo das formigas e, pelo menos na minha casa, elas não entrariam mais.
O fato é que hoje cedo tropecei, na escada do estacionamento do escritório (adoro chamar redação de escritório!), com uma fila de microformigas determinadas. Olhei, já percebi à distância, era só dar um bom pisão sem nem ter de desviar e não fiz. Pensei que tinha que abandonar essas manias, "pensamento mágico é infantilidade" e, num ataque de bondade, achei que era melhor não ficar matando só porque sim.
Encontrei uma formiga no açucareiro. Devia ter esmigalhado aquelas de hoje cedo. Amanhã elas não me escapam.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Prazeres de uns...
Prazeres de uns, desprazeres de outros. Chove muito, estou de folga e: 1. Às 7h50 toca meu celular - o sogro de meu filho quer o telefone do decorador. Nem vou perguntar por que àquela hora.. enfim.
2. Vou fazer café e o acendedor automático morre.
3. Ligo o computador e o speedy não funciona.
4. Ligo para a Telefônica (empresa da pior qualidade, diga-se de passagem: serviço ruim, atendimento pior ainda). Como sempre a ligação está péssima, o mocinho do ouro lado, fora o sra., me trata como uma débil mental, me faz desligar o roteador, leva 24 minutos para conseguir fazer a droga funcionar - mas não devo reclamar, afinal podia ser pior. E, óbvio, quando, depois, tento conectar o roteador, dá pau. Certo! sem wireless, paciência.
5. Mal começo a me concentrar para as dezenas de missões do dia, ainda me esforçando para não pensar em como vou fazer para resolver o problema do roteador - porque é um inferno ter de reconfigurá-lo, toca o interfone. Só consigo pensar, deus ajude que não seja o zelador, seu Auto (isso mesmo) para avisar que o elevador não está funcionando. Notem, moro há mais de 15 anos nesse prédio; meu apartamento fica no 2º andar, só uso elevador para compras; nesse 15 anos, ele sempre me viu descendo de escada e subindo de escada, enfim, daria para depreender que o funcionamento (ou não) do elevador não me interessa, mas atendo o interfone e....'bom dia, dona Cuca, estou ligando para avisar que o elevador está quebrado"... Não é possível! Controlo-me, sei que estou à beira de um ataque de nervos.
Consolo-me: ele, o seu Auto, tem prazer em interfonar. Prazeres de uns, desprazeres de outros. E o dia apenas começou.
sábado, 18 de julho de 2009
De roupa?!?
Gosto de bichos. Sempre gostei. Quando pequena tinha de galinha a cobrinha, Verdade que com os anos tanto galinhas quanto cobras me causam uma certa repugnância. Nada que lhes impeça de viver no mesmo mundo que eu. Como a maioria dos mortais, o único bicho que realmente eu eliminaria seriam as baratas, mas, por isso mesmo, provavelmente, elas são indestrutíveis.
Introdução necessária para explicar o meu desprazer em relação à categoria que foram alçados os animais de estimação. Viraram gentes peludas que não falam. São vestidos, usam sapatos, fazem manha, têm vontades e, andam de carrinho de bebê nas ruas dessa cidade, que já não é mais minha mesmo, embora gostasse que fosse.
Por que o pets andam vestidos? Quando era criança dormiam na garagem, ou em suas casinhas, com um cobertor velho e, pelas regras de minha mãe, não circulavam dentro de casa. Viveram todos bem: cachorros, gatos, coelhos, jabotis, tartarugas, esquilos, hamster, cobrinha, lagarto, passarinhos, papagaio. Sim, eu gostava muito de bichos e com a condição de viverem fora de casa, comerem restos, e que eu cuidasse, minha mãe deixava que os tivesse.
Por que as pessoas chamam seus bichos de "filhinho" ou "filhinha"?
Tenho pena dos bichos impedidos de seguir sua natureza, tremendo de frio ou de nervoso, tomando banhos, fazendo tosas, tingindo seus pelos de rosa, e colocando lacinhos.
Gosto de bichos, mas não são gente.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
A Lua
Em 20 de julho fará 40 anos que o homem pisou na Lua. Lembro-me. Tenho até hoje guardado em algum canto o "magnífico" trabalho escolar feita na ocasião. Com ajuda de meu padrasto comprei todas as revistas bacanas de fotos - Manchete e Fatos&Fotos - recortei o melhor que era capaz, compramos papel cartão preto para a capa e cartolina preta para as páginas. Estava encantada. A "obrigação" do trabalho escolar era tudo o que eu mais queria. Estava impactada com aquela imagem na tv. Como todos, escolhi minha profissão: seria astronauta, a primeira mulher astronauta, isso sim!
Imaginem só você, com aquelas roupas pesadésimas, flutuando, em câmara lenta. Sonhava com isso, podia até sentir. Assisti a cena tantas vezes quanto pude com o horário restrito de uso da televisão que minha mãe impunha e a pequena escolha de canais. Enfim, nada me impedia de rever em detalhes, quantas vezes quisesse, no filme que rodava em meu cérebro. Registro indelével.
Mas lembro também, alguns anos antes, todos sentados ao redor do rádio, daqueles enormes num móvel de som, com vitrola e pezinhos, sintonizados numa rádio russa, que chiava um monte, com minha mãe traduzindo, a ida do primeiro cão para o espaço. A Laika. Não tínhamos tv, nem sei se existia aqui. Mas semanas depois, minha mãe trouxe a foto, recortada de um jornal, da Laika na cabine da nave. Lembro-me que olhei para aquela foto horas, buscando alguma comunicação com aquele cão, que mesmo sendo cão já era muito mais do que eu.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Uma gota

Vez ou outra me surprendo com coisas pequenas que causam imenso prazer: passar o dia fazendo uma mudança, com chuva sem trégua, "comer" quilos de pó, chegar em casa, tomar um bom banho e, o melhor de tudo, a gota perfeita de prazer : besuntar o rosto com um bom hidratante e, outra vez poder sorrir sem dor.
domingo, 12 de julho de 2009
Os números, malditos números
Quem trabalhou comigo sabe muito bem, sempre "proibi", nas redações que comandei, que jornalistas fizessem cálculos numéricos de qualquer tipo. Somos muito ruins com os números. Não importa o quanto achemos que não, mas somos. Tive provas super desagradáveis com o tema: Vi a manchete do jornal começar a rodar informando que um candidato estava 3% acima nas pesquisas quando, na verdade, ele estava 3 pontos percentuais. Não pretendo explicar aqui a diferença - repito: jornalistas não devem lidar com números e ponto.
Há profissionais especializados: economistas, estatísticos, pesquisadores, enfim pessoas devidamente habilitadas para colaborarem com os jornalistas na sua função básica que é informar o leitor corretamente.
Há anos o Carlinhos Brickmann fala que os números da Parada Gay de São Paulo são absurdos, non sense. Todos se fingem de surdos ou consideram "preconceituoso" desmentir a organização do evento. Insisto porque quero crer que "água mole em pedra dura tanto bate até que fura". Então vamos lá.
Temos informações variadas sobre o tamanho da Paulista, algo entre 2.500m e 2.800m de comprimento por entre 48m e 55m de largura. Vamos pelos números maiores porque isso favoreceria os dados "oficiais".
A Paulista tem, portanto, 154 mil m2. Conta simples, de vezes, como ensinou-me minha professora do 2º ano primário, multiplicação.
2.550 x 55 = 154.000
Até aqui nada muito complexo.
Pelos manuais de ocupação territorial, o aconselhável é calcular que cada pessoa ocupa 1m2, mas que "socadas" caberiam até 4. Em caso de dúvida, risque 1m2 na Redação e coloque quatro gordinhos dentro. Então teríamos, com a Paulista bufando de gente e todo mundo tomando muito cuidado para não pisar no "calo" do outro, sem trio elétrico, sem carrinho de comidas, bancas de jornais etc., 616 mil pessoas.
Outra vez, conta de "vezes".
154.000 x 4 = 616 mil
Ops! Há anos já passamos desse número. Passamos não, quintuplicamos, ou seja, enfiamos uma média 23 pessoas por m2. Pago o mico para o jornalista que conseguir enfiar 12 pessoas em 1m2. Dou os outros 11m2 de lambuja.
Mais do que isso, se considerarmos que a população de São Paulo é 19 milhões de habitantes, significa que 18,5% da população foi à Parada Gay. Vamos lá, desses 19 milhões, cerca de 2.600 estão na faixa entre 0 e 14 anos e quase 1 milhão têm mais de 60 anos. Nada impede que eles fossem (ou foram e vão) à Parada, mas, digamos, que a probabilidade é menor. Assim nos resta 15.400.000, ou seja, 23% da população da cidade. O bom senso diz que isso é muitíssimo pouco provável que 1/4 de São Paulo vá à Parada Gay.
Vamos tentar entender que não existe evento na Paulista, nem ocupada de ponta a ponta só por gente, que chegue a 700 mil pessoas, e tudo bem, já é gente pra caramba.
Há profissionais especializados: economistas, estatísticos, pesquisadores, enfim pessoas devidamente habilitadas para colaborarem com os jornalistas na sua função básica que é informar o leitor corretamente.
Há anos o Carlinhos Brickmann fala que os números da Parada Gay de São Paulo são absurdos, non sense. Todos se fingem de surdos ou consideram "preconceituoso" desmentir a organização do evento. Insisto porque quero crer que "água mole em pedra dura tanto bate até que fura". Então vamos lá.
Temos informações variadas sobre o tamanho da Paulista, algo entre 2.500m e 2.800m de comprimento por entre 48m e 55m de largura. Vamos pelos números maiores porque isso favoreceria os dados "oficiais".
A Paulista tem, portanto, 154 mil m2. Conta simples, de vezes, como ensinou-me minha professora do 2º ano primário, multiplicação.
2.550 x 55 = 154.000
Até aqui nada muito complexo.
Pelos manuais de ocupação territorial, o aconselhável é calcular que cada pessoa ocupa 1m2, mas que "socadas" caberiam até 4. Em caso de dúvida, risque 1m2 na Redação e coloque quatro gordinhos dentro. Então teríamos, com a Paulista bufando de gente e todo mundo tomando muito cuidado para não pisar no "calo" do outro, sem trio elétrico, sem carrinho de comidas, bancas de jornais etc., 616 mil pessoas.
Outra vez, conta de "vezes".
154.000 x 4 = 616 mil
Ops! Há anos já passamos desse número. Passamos não, quintuplicamos, ou seja, enfiamos uma média 23 pessoas por m2. Pago o mico para o jornalista que conseguir enfiar 12 pessoas em 1m2. Dou os outros 11m2 de lambuja.
Mais do que isso, se considerarmos que a população de São Paulo é 19 milhões de habitantes, significa que 18,5% da população foi à Parada Gay. Vamos lá, desses 19 milhões, cerca de 2.600 estão na faixa entre 0 e 14 anos e quase 1 milhão têm mais de 60 anos. Nada impede que eles fossem (ou foram e vão) à Parada, mas, digamos, que a probabilidade é menor. Assim nos resta 15.400.000, ou seja, 23% da população da cidade. O bom senso diz que isso é muitíssimo pouco provável que 1/4 de São Paulo vá à Parada Gay.
Vamos tentar entender que não existe evento na Paulista, nem ocupada de ponta a ponta só por gente, que chegue a 700 mil pessoas, e tudo bem, já é gente pra caramba.
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