domingo, 3 de janeiro de 2010

Fronha e orna

Fotos de Guirlanda
Adoro a palavra "guirlanda" e escrevo no FB. Minha sobrinha comenta que ela também tem palavras que adora e outras que detesta, que as coleciona. Como eu! Por razões complicadas para mim, nunca convivemos mesmo. Ela era pequena quando meu irmão morreu. Não pude mais fazer contato - era dor pra além do suportável para mim. Acredito que errei, mas sou mesmo meio limitada - meu irmão adorava essa guria.
Ela escreve muito bem, como ele e como eu. Eles dois bem melhor do que eu, mas enfim, todos escrevemos.
Guindaste é uma de suas palavras preferidas. Não tinha me dados conta - é mesmo uma palavra maravilhosa, poderosa. E então, a medonha dela: fronha. A medonha minha: orna. Nos divertimos um monte. Provavelmente mais encantadas com sermos tão parecidas sem nos conhecer, e assim nos conhecermos tão bem, do que pelas palavras em si.
Momento mágico!

sábado, 2 de janeiro de 2010

Ano novo


A cada ano que passa mais detesto o "passar o ano". Não pelo tempo transcorrido, que dele não tenho medo e nem grandes arrependimentos. Gosto da sensação de que o tempo passa, em geral, é um consolo. Detesto esses dias, 31 e 1º de janeiro. Já há muitos anos não comemoro. Não vou a festas, jantares, shows, encontros etc. Fico em casa, sozinha. Tomei essa decisão muito cedo, por volta dos 20 anos, num révellion desastroso quando ainda morava na Itália. Não vem ao caso o que houve. Determinei-me que não mais comemoraria. No passar destes 30 anos, abri exceções das quais me arrependi de todas - talvez estivesse predisposta, mas enfim, arrependi-me, isso é fato.
Tive um ano ótimo, quase me dava pena largá-lo, quase estenderia mais uns meses. Mas, afinal, que diferença faz o dia da troca de ano? O que muda a não ser o número e a quantidade de cheques errados que faremos? Esse patético da coisa é que me impede de gostar da data. Bem sei que nada se apaga e nem muda ao piscar dos olhos. Sabemos todos. No entanto, a humanidade para e, vira o ano, com promessas, com festas, com mandingas, com superstições as mais variadas. Não há como participar disso.
Neste ano, por uma infeliz coincidência, foi ainda pior. E ainda abrimos uma nova década.
P.S. Mas adoro fogos de artifício.

sábado, 12 de setembro de 2009

Acasos

Jamais pensei em ser jornalista. Pensei em ser médica, veterinária, psicóloga, escritora, atriz, bailarina. Estudei Educação na USP - Pedagogia - Orientação Educacional. Dava aulas desde os 17 anos. Aos 18 já trabalhava com crianças com grandes dificuldades de aprendizagem: lesão cerebral, dislexias fortíssimas. Também, com uma grande amiga, a Luiza, fizemos um programa de alfabetização de adultos para os funcionários da USP - quase 30% dos funcionários da Universidade de São Paulo eram analfabetos. Isso foi por volta dos anos 80. Trabalhamos com os jardineiros. Brigamos um monte para conseguir. Encontramos todo tipo de resistência da universidade; nossos professores não aceitavam como horas de estágio. Patética, como tendia a ser a administração da USP na época. Fizemos um trabalha bem bacana e sério para duas garotas com cerca de 24 anos, sem nenhum respaldo técnico e pedagógico. O programa existe até hoje, que eu saiba. Agora, é "chic", já tem um monte de donos da ideia, mas, fomos nós duas.
Um dia, depois de ter casado, tido meu filho e me separado. Pouco mais de 3 anos dessa história, seguia dando aulas, e ganhando muuuito mal.
A decisão da separação me colocou num novo problema: agora era comigo mesma. Precisava ganhar mais. Meu querido amigo André trabalhava na FSP então. Era época de Diretas. Meu amigo Otavio ousava com o Projeto Folha e eu sempre escrevera - não tão bem quanto qualquer um dos dois, mas não era completamente analfabeta. O Otavio queria gente nova, que estivesse com ele, que amassee ousar com ele então amava. Chamaram-me para coordenar os artigos (uma seção que existia) para a Constituinte. Em uma semana era também redatora, em três meses, redatora das páginas 2 e 3, em mais uns meses editora-assistente de política e mais uns outros tantos editora de educação. Nem imaginava que me sentiria tão bem, tão afinada comigo mesma sendo jornalista. Devo muito a muita gente que me ajudou muito nesses primeiros anos, quando era uma foca, uma menina que estudou pedagogia (argh) e que lá estava porque era amiga dos chefes. Tudo verdade. Nada realidade. Nunca nossa amizade me favoreceu. Nunca pedi, nunca quis e nem eles também. Sempre foi super tranquilo isso. Somos amigos até hoje.
Adoro jornalismo. Faz parte de mim, flui com sintonia e segurança, diverte-me, instiga-me, excita-me. Penso o mundo em pautas, monto as pautas já com o texto imaginário da matéria, diagramo a página na sintonia do tema, e posso criar.
Não acho que haja nenhuma glória nisso. Fora os privilegiados que têm dons, nós, humanos mortais, podemos, com muita sorte, encontrar no trabalho, na profissão o melhor lugar para que suas qualidades possam acontecer - os defeitos, os rancores, a sensação de emprego são ínfimas, quase nem se fazem sentir. Lógico que há enormes insatisfações, dificuldades, resultados infelizes, mas isso é da vida. Já poder viver de suas habilidades naturais e suas qualidades é ter sorte na vida.
"aquele que não acredita no inesperado é que não o encontra" (já não me lembro de quem é a frase)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Coisas que irritam

Adorei o post da Clarissa do "Cinco besteiras que me irritam" e quero dar a minha contribuição.

Sobre falarem comigo antes do café, concordo em gênero, número e grau. Idem para gente que acorda de bom humor. Me irrita tanto que chego a achar que é de propósito. Barra de cereal é a definição perfeita. Sobre filas, confesso que me recuso, nem para assistir o show dos meus sonhos.
Acrescento:
1. Não suporto gente que quando vc está nervosa e irritada (com razão!) fala, "Nossa, calma! Não precisa ficar desse jeito." Ora, se não precisasse por que estaria? Por acaso gosto de estressar. É ÓBVIO que preferia estar calma, e se não estou é porque não dá para estar calma, então não irrite mais ainda. "Calma" ou "Baixa a bola" (nem vou comentar o ralé da frase) só contribui pra irritar mais ainda.
2. Pessoas que não se despedem ao telefone. Terminam a conversa, desligam e vc fica com a maior cara de tacho.
3. Pessoas que mal te conhecem e ficam pegando em vc. Nossa, isso me deixa louca. É aquela coisa invadir a aura. Por mim, andava com uma luminoso: "Mantenha distância de, no mínimo 30 cm. Respeite minha aura".
4. Gente que tem certeza que entende como vc se sente e insisti em garantir "métodos perfeitos, testados por elas mesma" vão resolver o a situação.
5. Essa coisa idiota de TODOS os serviços, assistências técnicas, entregas acharem que é razoável dizer que o atendimento ocorrerá no horário comercial, das 8h às 18h. Como eles fazem quando precisam? Faltam no trabalho e passam o dia em casa aguardando? Se sim, quero um emprego assim.
6. Finalmente, me enche gente saudável. Não come porcaria, olha os rótulos de tudo para garantir que não tenha gordura "trans" (sabe deus, que raio é isso!), faz academia, não fuma e passa o tempo todo "provando" o quanto isso fez da vida uma coisa melhor.

Mas é como digo, a irritação em um dom.

sábado, 8 de agosto de 2009

Formigas


Odeio formigas. Simplesmente detesto todas elas e as pequenas mais ainda. Morei num apartamento que certamente fora co-alugado para as malditas formigas. Matá-las virou uma obsessão. Experimentei TODAS as fórmulas divulgadas: sprays - dos específicos para formigas até os mata-tudo; técnicas caseiras - de tapar com uma colinha de farinha e água a entrada dos formigueiros a fazer um rastro de detergente no caminho por elas percorrido. Confesso que, embora inútil, esse último me divertia - ficava observando elas se perderem da "tropa" e irem "desmaiando" rapidinho. De fato, odeio formigas. Não consigo imaginar nada tão perverso que pudesse me dar tanto gosto como vê-las morrer.

Nada disso funciona. Para os interessados, há um produto muito do mixureba (Formicel), que consiste numa seringa com uma coisa bem melada que a gente coloca em qualquer ponto do caminho das malditinhas e elas se reúnem em volta, comem, comem, comem, e saem correndo para avisar suas "amiguinhas". É tiro e queda: não resta uma para contar a história. Tormnei-me uma especialista em matança de formigas.
Minha primeira "pesquisa" escolar, daquelas que íamos às enciclopédias, mais precisamente à Delta Júnior e à Barsa, foi Formigas. Adorei!!!! Fiz meu pai trazer para mim dos EUA um "formigário", que consistia em um aquário fininho que a gente colocava terra, formigas, as alimentava, e ficávamos assistindo sua vida dentro do formigueiro. E mais, pesquisar foi uma descoberta tão fantástica para mim como ler e escrever. Coisas mágicas que no primeiro momento que surgiram já senti que aquilo mudaria o meu mundo.

Depois dos 3 anos de luta contra as formigas e, finalmente tê-las derrotado, passei mais 6 meses naquele apartamento e, me mudei. Comigo não vieram, menos mal. Mas, sempre que encontro com formigas, esmago-as. É como um ritual para que elas não voltem mais. Como se houvesse alguma comunicação possível entre as formigas do universo e matando todas as que eu encontrasse, uma ou outra sobrevivente contasse que sou perigosa, que evitem-me ao máximo, que sobreviver a mim é praticamente impossível. A informação correria o mundo das formigas e, pelo menos na minha casa, elas não entrariam mais.

O fato é que hoje cedo tropecei, na escada do estacionamento do escritório (adoro chamar redação de escritório!), com uma fila de microformigas determinadas. Olhei, já percebi à distância, era só dar um bom pisão sem nem ter de desviar e não fiz. Pensei que tinha que abandonar essas manias, "pensamento mágico é infantilidade" e, num ataque de bondade, achei que era melhor não ficar matando só porque sim.

Encontrei uma formiga no açucareiro. Devia ter esmigalhado aquelas de hoje cedo. Amanhã elas não me escapam.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Prazeres de uns...

Prazeres de uns, desprazeres de outros. Chove muito, estou de folga e:

1. Às 7h50 toca meu celular - o sogro de meu filho quer o telefone do decorador. Nem vou perguntar por que àquela hora.. enfim.

2. Vou fazer café e o acendedor automático morre.

3. Ligo o computador e o speedy não funciona.

4. Ligo para a Telefônica (empresa da pior qualidade, diga-se de passagem: serviço ruim, atendimento pior ainda). Como sempre a ligação está péssima, o mocinho do ouro lado, fora o sra., me trata como uma débil mental, me faz desligar o roteador, leva 24 minutos para conseguir fazer a droga funcionar - mas não devo reclamar, afinal podia ser pior. E, óbvio, quando, depois, tento conectar o roteador, dá pau. Certo! sem wireless, paciência.

5. Mal começo a me concentrar para as dezenas de missões do dia, ainda me esforçando para não pensar em como vou fazer para resolver o problema do roteador - porque é um inferno ter de reconfigurá-lo, toca o interfone. Só consigo pensar, deus ajude que não seja o zelador, seu Auto (isso mesmo) para avisar que o elevador não está funcionando. Notem, moro há mais de 15 anos nesse prédio; meu apartamento fica no 2º andar, só uso elevador para compras; nesse 15 anos, ele sempre me viu descendo de escada e subindo de escada, enfim, daria para depreender que o funcionamento (ou não) do elevador não me interessa, mas atendo o interfone e....'bom dia, dona Cuca, estou ligando para avisar que o elevador está quebrado"... Não é possível! Controlo-me, sei que estou à beira de um ataque de nervos.

Consolo-me: ele, o seu Auto, tem prazer em interfonar. Prazeres de uns, desprazeres de outros. E o dia apenas começou.

sábado, 18 de julho de 2009

De roupa?!?


Gosto de bichos. Sempre gostei. Quando pequena tinha de galinha a cobrinha, Verdade que com os anos tanto galinhas quanto cobras me causam uma certa repugnância. Nada que lhes impeça de viver no mesmo mundo que eu. Como a maioria dos mortais, o único bicho que realmente eu eliminaria seriam as baratas, mas, por isso mesmo, provavelmente, elas são indestrutíveis.

Introdução necessária para explicar o meu desprazer em relação à categoria que foram alçados os animais de estimação. Viraram gentes peludas que não falam. São vestidos, usam sapatos, fazem manha, têm vontades e, andam de carrinho de bebê nas ruas dessa cidade, que já não é mais minha mesmo, embora gostasse que fosse.

Por que o pets andam vestidos? Quando era criança dormiam na garagem, ou em suas casinhas, com um cobertor velho e, pelas regras de minha mãe, não circulavam dentro de casa. Viveram todos bem: cachorros, gatos, coelhos, jabotis, tartarugas, esquilos, hamster, cobrinha, lagarto, passarinhos, papagaio. Sim, eu gostava muito de bichos e com a condição de viverem fora de casa, comerem restos, e que eu cuidasse, minha mãe deixava que os tivesse.

Por que as pessoas chamam seus bichos de "filhinho" ou "filhinha"?

Tenho pena dos bichos impedidos de seguir sua natureza, tremendo de frio ou de nervoso, tomando banhos, fazendo tosas, tingindo seus pelos de rosa, e colocando lacinhos.

Gosto de bichos, mas não são gente.